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Vingança Diabólica - Stephen Gilbert (resenha)

Vingança Diabólica é um breve romance do escritor irlandês Stephen Gilbert, publicado em 1968. O livro inspirou três filmes: Calafrio (1971), Ben, o Rato Assassino (1972) e A Vingança de Willard (2003).


Sua narrativa traz uma série de notas do diário de um homem solitário que vive com sua velha mãe em um casarão deixado por seu pai, morto há dez anos. Quando ela se depara com ratos em sua casa, pede ao narrador (cujo nome não é revelado) que se livre dos animais, porém o mesmo não consegue e acaba fazendo amizade com eles.



O primeiro ratinho que se torna amigo do homem é nomeado Sócrates, e a partir disso temos o desenvolvimento do relacionamento entre homens e animais. Quando descobre que os ratos são obedientes, o protagonista passa a treiná-los e usá-los em seu favor, principalmente quando o homem solitário percebe que ratos se multiplicam rapidamente, e que é necessário muito dinheiro para alimentá-los. Seu mísero salário faz com que passe fome constantemente, e logo ele passa a cometer pequenos roubos com ajuda dos roedores.


Seus planos de vingança, como mencionado no título em português, são contra seu chefe, o opressor Mr. Jones, que está na direção da firma que um dia pertenceu ao pai do narrador.


O livro é bem datado, existem várias situações em que o narrador expõe pensamentos degradantes em relação às mulheres, por exemplo, quando julga sua companheira e todas mulheres como "interesseiras", e quando fala que o serviço feito por mulheres não deveria ser pago na mesma quantia que para os homens. Essas situações se dão tanto quanto à época em que foi escrito, como pela opressão que o protagonista sofre pela mãe.


No geral, é uma obra agradável de ler e divertida em vários momentos. Infelizmente, o livro foi publicado no Brasil em 1968 pela editora Círculo do Livro, e não há nenhuma publicação mais recente, mas ainda é possível encontrar exemplares em sebos.


Adaptações cinematográficas


Calafrio (1971)

Willard

Dir: Daniel Mann



No primeiro filme, o protagonista ganhou o nome de Willard (que é usado nas adaptações posteriores) e em boa parte é fiel ao livro (excetuando a vida criminosa do protagonista e seus pequenos roedores delinquentes). Willard Stiles é interpretado por Bruce Davidson e há uma participação de Elsa Lanchester (a belíssima e eterna noiva de Frankenstein no filme de 1935, ao lado de Boris Karloff) no papel da mãe (não tão) opressora.


Uma curiosidade sobre essa adaptação: a casa da família Stiles é a mesma usada nos filmes Espírito Assassino (1986), A Passagem (1988) e Elvira, a Rainha das Trevas (1988). (Fonte: IMDb)



Ben, o Rato Assassino (1972)

Ben

Dir: Phil Karlson



Esse filme começa com as cenas finais do anterior. Agora, Ben, o rato que se tornou líder dos roedores de Willard, está solto na vizinhança e faz "amizade" com Danny (Lee Montgomery), um garotinho solitário. Há ataques de roedores a humanos que vão sendo investigadas pelas autoridades, e Danny, é claro, faz de tudo para proteger seus novos amiguinhos. Da adaptação de 1971, apenas o rato Ben permanece nessa sequência.


Incrivelmente, contrabalanceando a violência dos animais há momentos bem fofos durante o filme, especialmente quando Danny canta para seus ratos. A música Ben foi escrita especialmente para o filme, e nos créditos finais é cantada por Michael Jackson. A canção foi indicada ao Oscar de melhor canção original e ganhou o Globo de Ouro para Melhor Canção Original, ambas premiações de 1973. (Ouça no Youtube)



A Vingança de Willard (2003)

Willard

Dir: Glen Morgan



Esse filme é um remake bem fiel do de 1971, porém Willard, agora interpretado pelo ótimo Crispin Glover, é retratado com muito mais intensidade, extravasando toda loucura do personagem, o que faz com que seja ainda melhor que o original. O papel do odioso patrão de Willard ficou com R. Lee Ermey (falecido em 2018, bem conhecido pela sua atuação em Nascido Para Matar).


Curiosidade: no remake, Ben foi interpretado por um roedor de origem africana da espécie Cricetomys gambianus, sendo muito maior que os ratos comuns usados no filme (rattus norvegicus).



Acima: cricetomys gambianus; abaixo: rattus norvegicus


Os três filmes estão disponíveis na Darkflix.




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