• Mimi Zanetti

Enquanto Eles Não Vêm - Robson Gundim (resenha)



Assumo que durante muito tempo tive um certo preconceito com a literatura brasileira. Convenhamos que ler Euclides da Cunha e Jorge Amado durante a infância na escola não deve ter sido uma das experiências mais agradáveis para muitas crianças, especialmente para mim que desde pequena assistia séries como Arquivo X e colecionava revistas que abordavam o sobrenatural.


Desde que me conheço por gente, tenho uma inclinação a gostar de coisas com temas relacionados ao terror e ao desconhecido, e até alguns anos atrás eu percebia que a literatura brasileira carecia muito desse tipo de ficção. No começo dos anos 2000 conheci a obra de André Vianco, mas desde então não me recordo de ter lido muitas obras de terror produzidas por brasileiros.


Entretanto, alguns dias atrás fiz uma assinatura do Kindle Unlimited. Como uma boa aficionada pelo terror, fui direto no catálogo desta categoria e encontrei muitos autores nacionais. O primeiro livro que escolhi para ler no aplicativo foi Enquanto Eles Não Vêm, de Robson Gundim.


A escolha foi feita especialmente por causa da capa, além de ser muito bonita, me fez pensar que talvez tivesse alguma influência de Lovecraft (a julgar pelos tentáculos), e eu não estava errada. Sem ler sinopse alguma comecei a leitura, e tão logo me vi já passada da metade do livro em uma madrugada só.


A narrativa se passa em uma pequena cidade no interior da Bahia, em que acontecimentos estranhos fazem com que um grupo de operações especiais seja enviado ao local. O clima do livro é uma mistura de Resident Evil (especialmente os primeiros jogos) e Silent Hill.


Nossos protagonistas, os soldados Lívia e David, se encontram presos na cidade cercados por criaturas desconhecidas. O suspense acerca da origem de tais estranhas entidades é mantido até o final do livro. O texto é intercalado com excertos de cartas, reportagens e diários, além de ilustrações feitas pelo próprio autor (uma grata surpresa ao final do livro).


A escrita de Robson Gundim é acessível, o leitor não ficará entediado com vocabulário arcaico e fatigante. O enredo é dinâmico, pode-se passar horas lendo e não ver o tempo passar. Recomendo este livro a todos os fãs de terror, inclusive os mais jovens para que essa nova geração de leitores descubra que existem muitos autores brasileiros talentosos, e que representam muito bem a literatura nacional.


Número de páginas: 346 páginas

Idioma: Português

Editora: Editorial Hope (27 de agosto de 2018)


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