• Mimi Zanetti

Twittando Com o Vampiro - Aislan Coulter (resenha + entrevista)

Quando peguei Twittando Com o Vampiro para ler, o título me passou a impressão de que fosse algo com vampiros ultra modernos, talvez com algum romance à la Crepúsculo com um toque de terror, e felizmente eu não poderia estar mais enganada. Este livro, o segundo do escritor paulista Aislan Coulter, me surpreendeu mais do que positivamente.



A narrativa é apresentada em três partes que vão intercalando e se entrelaçando conforme se aproxima o final: conhecemos o vampiro Kelvin Malon, uma estrela do automobilismo com um apetite voraz, através dos relatos de sua companheira involuntária, a Morte; conhecemos também Aline Brein, que por meio de seu diário nos mostra suas visões fantasmagóricas; e um assassino contratado na Deep Web para uma missão inusitada.


Com uma mistura de vampirismo, fantasmas e vodu haitiano, Twittando com o Vampiro traz diversas referências como lendas urbanas, cultura pop e clássicos do terror, além de ter cenas recheadas de gore. É um livro breve, sua história se passa em apenas 12 noites, e que pode ser facilmente lido em uma madrugada só (e termina com aquele gostinho de “quero mais”).


Conversei com o Aislan para conhecer melhor seu processo criativo, seus autores preferidos e saber quais projetos ele tem no forno. Confira!


CDP: Aislan, com quantos anos você começou a escrever e quais os autores mais te inspiram? 


Aislan: O meu contato com a literatura foi muito cedo, a estante de livros do meu avô. Ele era um veterano da Primeira Guerra Mundial e acho que os livros eram uma forma de esquecer os fantasmas das trincheiras. Eu e meu irmão crescemos embaixo dessa estante e isso foi incrível. Comecei a criar minhas histórias nesse período, na infância. Com 11/12 anos ganhei um prêmio de redação, depois fui convidado para compor a equipe do jornal da escola, ganhei outros prêmios e continuei escrevendo.



CDP: Algumas cenas de Twittando com o Vampiro me lembraram bastante o estilo de alguns pesadelos que eu já tive. Como é o seu processo criativo para escrever tais cenas? 


Aislan: Parafraseando Mckee “As palavras não são importantes. Nada é mais superficial que a linguagem.” O que o leitor quer é abrir o livro e se deparar com grandes cenas. Eu busco essa projeção cinematográfica.  Meu processo de escrita é composto por várias reescritas. E as cenas vão perdendo palavras (desnecessárias) e ganhando vida.




CDP: Comentei que me diverti muito lendo as partes da Aline em Twittando com o Vampiro, o que mais te diverte ao escrever? 


Aislan: A história da Aline é recheada de humor, eu me diverti muito escrevendo. Mas é, ao mesmo tempo, uma história triste e cruel. Toda essa forma que ela vê a vida, tudo que ela diz é algo do tipo “dane-se! Para mim não tem mais jeito!” E se coloque no lugar dela. O que você faria? Meu objetivo foi fazer com que as pessoas refletissem sobre crueldade disso tudo. Precisamos fazerm alguma coisa. Precisamos parar isso. As mulheres são as maiores vítimas dos crimes virtuais. Elas correspondem a 65% dos casos de cyberbullying e isso inclui ofensas, intimidação na rede, 67% dos casos de sexting (mensagens de conteúdo íntimo e sexual) e exposição íntima. O número de casos de vingançapornô no Brasil quadruplicou nos últimos anos. O sexting traz a depressão. Ele mata, destrói, anula. Não dá para ficar de braços cruzados. Precisamos fazer alguma coisa. Não dá para aceitar esse tipo de comportamento.


CDP: Um passarinho me contou que você tem planos em publicar um livro sobre Lobisomens. Quais seus próximos projetos? Teremos uma sequência para Twittando Com o Vampiro em breve? 


Aislan: Estou finalizando meu novo livro. Chama-se Lobisomem. E novamente trago um monstro clássico. Em noites de lua cheia, ele se senta na última poltrona, no último vagão. E ali acontece a metamorfose... E ninguém escapa. É um livro sobre lobisomem, fantasmas e um casamento fracassado. Teremos uma sequência de Twittando com o Vampiro em breve. Não vejo a hora de começar a escrever.



CDP: Suas obras contam com “causos” regionais e lendas urbanas. Você sendo do interior paulista, tem algum “causo” na sua região que te impactou?


Aislan: O interior paulista é cheio de histórias e causos. Uma história que me impactou na infância foi a de uma escola que foi construída em cima de um cemitério indígena. Ele ficava atrás da escola que eu estudava.



CDP: Por fim, você gostaria de indicar outros autores nacionais para os leitores? Vale tudo, terror, suspense, ficção científica e até romance.


Aislan: Tem uma galera que andei lendo nos últimos meses. São de arrepiar! Su Cruz, Fabiano Soares, Douglas Lobo, Abel Cavira, João Effing, Henrique Micco, Wan Moura, Diego K Scariot, Isaque Lázaro, Gustavo Lopes, Danilo Morales, Sérgio Mattos, Jorge Machado, Junior Salvador, George Au Costa, Adam Mattos. Podem ler sem medo! Ou melhor...(risos) podem ler e sentir medo Bom, quero agradecer e dizer que é uma honra estar na estante da Caixa de Pesadelos! A Caixa presta um trabalho muito importante para o terror/horror nacional. Uma contribuição e tanto para a nossa cultura. Eu me sinto em casaqui dentro da Caixa. É uma honra. Muito obrigado!


Se interessou pelo trabalho do Aislan? Você pode adquirir Twittando com o Vampiro aqui. Seu primeiro livro, O Cordel de Sangue, está disponível no Wattpad, confira!