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A Maldição da Casa da Colina - Shirley Jackson (resenha)

O desafio #terrorama2019 foi lançado no instagram e eu aceitei! O primeiro livro que escolhi para essa maratona literária foi A Maldição da Casa da Colina, da escritora norte-americana Shirley Jackson, publicado pela primeira vez em 1959.



É uma obra escrita nos moldes góticos, em que um grupo de quatro desconhecidos se hospeda por algumas semanas na Casa da Colina, famosa por ser assombrada. O organizador da excursão é o Doutor Montague, que em busca de evidências do sobrenatural se junta à Luke Sanderson, o herdeiro natural da casa; Theodora, que tem percepção extrassensorial; e Eleanor Vance, uma mulher na casa dos anos que teve uma suposta experiência com poltergeists em sua infância.



A casa que foi construída pelo milionário Hugh Crane é descrita de forma peculiar, como se seus alicerces pregassem peças visuais e sensoriais aos que a visitam. Ela é zelada pelo casal Dudley, que se recusa a permanecer na propriedade após o anoitecer.

De personalidades destoantes, a tímida Eleanor e a divertida Theodora se dão bem logo de cara, e não demora muito para que elas passem por experiências extraordinárias e inexplicáveis.


“— Meu Deus — disse Eleanor, saltando da cama e correndo, trêmula, para um canto do quarto: — Meu Deus… de quem era a mão que eu estava segurando?”


Theo (Catherine Zeta-Jones), Luke (Owen Wilson), Eleanor (Lili Taylor) e o Doutor (Liam Nesson) na adaptação de 1999.

Eu tinha grandes expectativas quanto à esse livro, porém infelizmente elas não foram atendidas. A primeira metade peca pelo excesso de diálogos, que em sua maioria chegam a soar infantis. As próprias personagens apresentam um comportamento infantil quase o tempo todo, o que me desagradou em boa parte do livro.


Apesar de não ter me agradado particularmente, A Maldição da Casa da Colina tem grande valor literário, tendo sido mencionada por Stephen King em Dança Macabra (obra em que o autor analisa o gênero do terror), como um dos grandes livros do final do século XX.


A obra foi adaptada para o cinema duas vezes, a primeira em 1963 (Desafio do Além, no Brasil) e a segunda em 1999 (A Casa Amaldiçoada). Mais recentemente, inspirou a série A Maldição da Residência Hill, produzida pela Netflix, cuja primeira temporada foi lançada em 2018 e teve grande recepção do público e da crítica.


Theo (Claire Bloom), Luke (Russ Tamblyn), Eleanor (Julie Harris) e o Doutor (Richard Johnson) na adaptação de 1963.

Ano: 2018

Páginas: 240

Idioma: português

Editora: Suma


“NENHUM OLHO humano pode isolar a coincidência infeliz de linhas e locais

que sugerem malignidade na fachada de uma casa, e no entanto alguma

justaposição demente, algum ângulo defeituoso, algum encontro fortuito de

telhado e céu transformavam a Casa da Colina em um lugar de desespero, mais amedrontadora porque a fachada da Casa da Colina parecia estar acordada, vigiando pelas janelas vazias e erguendo com sarcasmo a sobrancelha de uma cornija. Quase todas as casas, tomadas de surpresa ou vistas de um ângulo inesperado, podem olhar humoristicamente alguém que as observe; até uma chaminé brincalhona, ou uma janelinha de água-furtada que parece uma covinha, podem dar ao observador um senso de camaradagem; mas uma casa arrogante e cheia de ódio, sempre defensiva, só pode ser maligna. Essa casa, que parecia de alguma forma ter se formado por si só, aglomerando-se em seu poderoso molde sob as mãos de seus construtores, acomodando-se em sua própria construção de linhas e ângulos, erguia sua enorme cabeça contra o céu sem qualquer concessão à humanidade. Era uma casa sem bondade, que nunca deveria ser habitada, que não servia para seres humanos nem para amor ou para esperança. O exorcismo não pode alterar o semblante de uma casa; a Casa da Colina ficaria assim como estava até ser destruída.”