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Original vs Remake: Cemitério Maldito

Atenção, este post é recheado de spoilers dos dois filmes!


Cemitério Maldito (o original) há muito tempo é um dos meus filmes preferidos, daqueles de assistir mais de uma vez por mês, de saber de cor as cenas e falas. Pois esse original de 1989, baseado no romance O Cemitério de Stephen King (1983), ganhou um remake neste ano. E qual o veredicto? É bom? É ruim? É fiel ao livro?


O enredo tanto de romance quanto adaptações é basicamente o mesmo: uma família (os Creed) de Boston se muda para a área rural do Maine, passando a viver em uma casa à beira da estrada. Próximo à residência, um cemitério de animais, e além dele um cemitério sobrenatural.


Quando o gato da família morre atropelado, seu vizinho Jud Crandall apresenta o tal do cemitério maldito para o patriarca, para que possa enterrar o bichinho. De lá, um gato morto-vivo volta para a família dos Creed marcando o início da ruína de todos.


Segue a batalha em 11 rounds para decidir qual é o melhor (eu gosto dos dois, mas de um deles eu gosto bem mais):


Round 1: Louis Creed


Dale Midkiff, o Louis Creed de 1989 não é um bom ator (o que não quer dizer que ele seja totalmente ruim), tem uma carreira composta por vários filmes, porém nenhum expressivo. Em CM (Cemitério Maldito, abreviado assim no post daqui em diante) não tem uma atuação brilhante mas cumpre seu papel.


Jason Clarke, o Louis de 2019 tem alguns filmes mais relevantes na carreira, é um bom ator, interpreta bem o papel, porém sem nenhum brilho, chegando a ser um pouco "sem sal".


Placar: CM 1989 1 x 0 CM 2019



Round 2: Rachel Creed


Denise Crosby (1989), apesar de ter passado por algumas produções significativas (como uma breve participação em The Walking Dead), teve como seu grande ponto alto na carreira o papel de Rachel Creed. A mãe amorosa, a mãe enlutada e a mãe assassina foram bem interpretadas pela loira.


Amy Seimetz (2019) é uma atriz novata, sua carreira começou em 2010 e já participou de produções como Stranger Things e Alien: Covenant. Seus melhores momentos são os de aflição e luto. Foram duas boas escolhas, mas ainda prefiro a Rachel original.


Placar: CM 1989 2 x 0 CM 2019



Round 3: Gage Creed

Miko Hughes (1989) é a grande estrela do filme. Seja como o garotinho doce, seja como o pequeno zumbi, seu brilho em CM é imenso.


No remake, Gage foi interpretado pelos gêmeos Hugo e Lucas Lavoie, porém o personagem já não tem mais seu protagonismo, tornando-se um elemento quase descartável no filme.


Placar: CM 1989 3 x 0 CM 2019



Round 4: Ellie Creed


De um lado, Ellie Creed interpretada pelas gêmeas Blaze e Beau Berdahl, do outro a Ellie representada por Jeté Laurence. As duas Ellies são realmente boas, porém o protagonismo da garotinha do remake ganha essa!


Placar: CM 1989 3 x 1 CM 2019



Round 5: Jud Crandall

O finado Fred Gwynne (famoso pelo seu papel na série The Munsters) e o veterano John Lithgow, dois grandes atores em boas atuações. O antigo mais caricato, o mais recente mais sombrio. Apesar disso fico com o original.


Placar: CM 1989 4 x 1 CM 2019



Round 6: Zelda

A meningite que acometeu Zelda deixou seu corpo deformado. Apesar de Alyssa Brooke Levine (2019) ter retratado uma Zelda mais "realista", a Zelda de Andrew Hubatsek foi certamente mais assustadora.


Placar: CM 1989 5 x 1 CM 2019



Round 7: Victor Pascow

Um coadjuvante de destaque no primeiro filme (interpretado por Brad Greenquist), infelizmente perdeu quase toda importância no remake (Obssa Ahmed), tornando-se um personagem pessimamente aproveitado.


Placar: CM 1989 6 x 1 CM 2019



Round 8: Church

A briga é boa, mas se eu cruzasse com o Church de 1989 talvez eu rezasse umas três Ave Maria e atravessasse a rua (achei o novo muito fofinho).


Placar: CM 1989 7 x 1 CM 2019



Round 9: os cemitérios

Os cemitérios de animais de ambos foram bem retratados, porém o cemitério maldito original ganha pelo visual. No remake houve uma tentativa de deixar o local bem sombrio, tanto que quando Louis e Jud adentram o bosque pela primeira vez, a névoa que os envolve torna ambiente tão artificial (e brega) que todo o clima tenso se perde.


Placar: CM 1989 8 x 1 CM 2019



Round 10: direção e roteiro


Mary Lambert era praticamente uma novata quando dirigiu CM (1989), fazendo um ótimo trabalho com o roteiro escrito por Stephen King. O filme é dinâmico, seus 103 minutos passam num piscar de olhos.


O contrário acontece com o remake dirigido pela dupla Kevin Kölsche e Dennis Widmyer (responsáveis pelo ótimo Starry Eyes). O roteiro de Jeff Buhler elimina diversos elementos presentes no primeiro filme (como a personagem Missy e o flashback do primeiro homem que retornou dos mortos, Timmy Baterman), priorizando o suspense. Porém o resultado não agrada, chegando a ser maçante em alguns momentos.


Não que não existam cenas boas, se antes de ver o filme eu não soubesse que seria Ellie morta no lugar de Gage, eu teria me surpreendido devido à ótima cena do atropelamento. A cena da procissão com as crianças usando máscaras de animais é ótima e sombria. De qualquer forma, ainda fico com o original.


Placar: CM 1989 9 x 1 CM 2019



Round 11: fidelidade ao livro


Como visto no round anterior, o filme original contou com o roteiro do próprio Stephen King, então claramente ele é mais fiel ao livro. Porém o próprio autor aprovou as alterações no remake.


Entretanto, o filme de 2019 tem um elemento especial do livro que não está presente no original: o fato de que os que revivem através do cemitério maldito, voltam do Inferno contando barbaridades. É provável que o fato de termos a Ellie morta-viva no remake, sendo ela mais velha que o Gage, possibilitou a inclusão desse detalhe no filme em termos de atuação.


Apesar desse grande acerto, bola fora para quem escolheu trazer a lenda do Wendigo para o remake, é um mito complexo que careceu de explicação. O cemitério Micmac é uma explicação mais plausível, direta e reta.


Resultado final: CM 1989 10 x 1 CM 2019


E aí, o que acharam? Concordam? Discordam? Faltou algum ponto a discutir? Compartilhem suas opiniões!