• Mimi Zanetti

O Castelo de Otranto e o início da literatura gótica

A primeira vez que li O Castelo de Otranto de Horace Walpole (1717 - 1797), foi em sua versão original em inglês. Sua narrativa começa com um jovem príncipe de saúde frágil que está prestes a se casar com a princesa Isabela, e acaba morrendo esmagado por um elmo gigante caído de lugar algum. A estória prossegue com o senhor do castelo, Manfred, tentando casar-se com Isabela, temendo que sua linhagem chegasse ao fim com a morte de seu único filho homem.


Essa primeira parte da obra me causou tanta estranheza que busquei em diversos dicionários algum outro significado ou correspondência para a palavra “helm” (elmo, em português), afinal, a obra havia sido escrita no século XVIII e existem muitas diferenças entre o inglês moderno e o dessa época.



No fim das contas, sim, tratava-se mesmo de um elmo gigante. Essa imagem juntamente com outros elementos como fantasmas, objetos sinistros, barulhos inexplicáveis, quadros que se movem, corredores e passagens ocultas labirínticas em um antigo castelo, serviram para formar um novo gênero literário: o romance gótico.


De acordo com o crítico literário Otto Maria Carpeaux, “essa fórmula inicial de romance sobrenatural fez grande sucesso no tempo de Horace Walpole, com um público pequeno-burguês que buscava nessa e em outras formas literárias populares, como o romance sentimental, uma fuga do dia a dia cinzento da vida social e do racionalismo que começava a ditar a vida, preferindo sonhar com falsos castelos do que com casas de comércio.”



O Castelo de Otranto é de 1764, e em sua primeira publicação o autor apresenta-se como um tradutor, informando que o romance havia sido escrito entre as datas da primeira e última cruzadas (1095 e 1243 respectivamente), na Itália. O manuscrito original teria sido impresso em Nápoles (Itália) em 1529 e seu autor seria Onuphrio Muralto.


Em sua segunda edição, Walpole retrata-se pela informação anterior e por ter se apresentado como um tradutor, assumindo a autoria do texto e expressando sua inspiração em Shakespeare.



Por mais que não seja o melhor romance no gênero de literatura gótica, O Castelo de Otranto e sua atmosfera soturna foi o pioneiro no estilo, e essencial para o desenvolvimento deste, além de servir de inspiração para diversos autores posteriormente.


A editora Nova Alexandria publicou a obra com tradução de Alberto Alexandre Martins, e introdução do professor de Teoria Literária da USP Ariovaldo José Vidal.

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As imagens foram retiradas do site Clive Hicks-Jenkins' Artlog e pertencem à publicação J. K. Green’s Juvenile Drama de 1841, sob o título "Castle of Otranto or Harlequin and the Giant Helmet" (link com imagens em HD).


O texto original em domínio público pode ser lido no Project Gutenberg. O LibriVox disponibiliza o audiobook da obra gratuitamente (em inglês).



O Castelo de Otranto

Capa comum: 152 páginas

Editora: Nova Alexandria

Edição: 3ª (15 de maio de 1994)

Idioma: Português


Fontes:

Wikipedia

BBC

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