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Louca Obsessão - Stephen King (resenha)

"Ele descobrira três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após ter emergido da nuvem escura. A primeira era que Annie Wilkes tinha bastante Novril (na verdade, tinha muitos remédios de vários tipos). A segunda era que ela era viciada em Novril. A terceira era que Annie Wilkes era perigosamente louca."


Louca Obsessão (Misery) é um terror psicológico escrito por Stephen King e publicado pela primeira vez em 1987. A história se incia com o escritor Paul Sheldon, autor de uma série de romances de época cuja protagonista se chama Misery, que ao finalizar seu novo livro, sai de uma cabana alugada no Colorado e sofre um acidente de carro em meio a uma violenta nevasca.


Sua "salvadora" é Annie Wilkes, uma enfermeira que o tira do veículo e passa a cuidar de seus ferimentos. Suas pernas estão gravemente feridas, os ossos praticamente moídos, e ele depende completamente da enfermeira. A princípio ela parece totalmente dedicada a ele, especialmente alegando ser a fã número um do autor, mas não demora muito para que Paul Sheldon conheça uma face muito mais sinistra e perigosa de Annie Wilkes, descobrindo que se tornou seu prisioneiro.



Misery, o nome da personagem criada do protagonista, pode ser traduzido em português como angústia, sofrimento, miséria, desgraça, etc, e relaciona-se como o suplício sofrido pelo escritor durante todo o tempo que fica cativo da enfermeira, que tem um passado muito obscuro.


Certamente, esse é um dos melhores livros do Stephen King, que no mesmo ano de lançamento se tornou um best seller e recebeu o prêmio de melhor romance do Bram Stoker Awards. A construção da vilã e sua mente desequilibrada é simplesmente fantástica.


O único ponto negativo da obra são os trechos do novo romance de Misery que Annie obriga Paul Sheldon a escrever. É uma história dentro da história, e apesar de serem apenas pedaços breves, são um pouco maçantes.


Em 1990, foi lançada uma adaptação cinematográfica com o mesmo nome, dirigida por Rob Reiner (que também dirigiu outra adaptação do autor, o Conta Comigo de 1986), com Kathy Bates como Annie, e James Caan no papel do desafortunado escritor.



É uma obra completamente à altura do livro, apesar da violência ter sido um pouco amenizada (se você já assistiu e lembra da cena do pé, ahhhh no livro é beeeem pior)

e é uma das adaptações favoritas do próprio Stephen King. O filme rendeu a Kathy Bates um Oscar e um Globo de Ouro de Melhor Atriz (um grande feito, pois como todos sabemos, o gênero do terror nunca foi muito apreciado nessas premiações).


Além deste filme, Annie Wilkes também apareceu recentemente nas telas, dessa vez retratada em uma versão mais jovem pela atriz Lizzy Caplan na segunda temporada da série Castle Rock (no ar desde 2018, transmitida pelo serviço on demand americano Hulu).


A edição que li foi a da Editora Suma de Letras, tem 326 páginas e foi publicada em 2014, com um belo trabalho de tradução de Elton Mesquita. Você pode encontrar facilmente um exemplar em livrarias, e recomendo, vale muito a pena.