• Mimi Zanetti

Fragmentos do Incomum Que Nos Une - Fernanda Oz (resenha + entrevista)

"Fragmentos do incomum que nos une são pedaços de mim que procuram pedaços de você, para tornar a poesia e o medo um lugar comum entre nós — ainda que isso incomode os paraísos artificiais que inventamos para nos tranquilizar."



É com essa frase que temos a porta de entrada para a obra Fragmentos do Incomum Que Nos Une, de Fernanda Oz. Escrito em forma de prosa poética, o livro traz textos que retratam com delicadeza, e até doçura, temas como a morte, a dor e a separação.


Imagem gentilmente cedida pela autora

Com pouco mais de cinquenta páginas, Fragmentos é uma obra para ler em um dia tranquilo, lentamente (e talvez até em voz alta) para digerir suas palavras e reflexões. É inevitável que o leitor se depare com situações e sensações, e se identifique com elas prontamente.


Essa é a primeira publicação autoral de Fernanda Oz, porém esse não é o seu trabalho na literatura. Com apenas 17 anos, a jovem autora roteirizou a HQ Planeta Morto, que retrata um mundo tomado por zumbis, além de ter publicados livros de não ficção. Conheça mais essa promissora e talentosa escritora brasileira com a entrevista a seguir:



CDP: Fernanda, conta pra gente com quantos anos você começou a escrever, e qual o seu gênero favorito, tanto no cinema quanto na literatura. 


Fernanda: Comecei a escrever histórias muito cedo. Com 10 anos eu mantinha um caderno de histórias de terror que ia alimentando conforme mostrava aos meus amigos, era muito divertido. Na sétima série tentei criar meu primeiro romance, que era inspirado no filme "Anjos da noite", não lembro ao certo quantas páginas escrevi, mas foram bastante. Mostrei para uma professora de português que apesar de apontar os inúmeros erros, me incentivou a escrever mais e melhor. Então realmente comecei a escrever antes da adolescência e aos poucos fui encontrando minha personalidade, minhas próprias histórias. 


Meu gênero preferido é o terror, tanto no cinema quanto na literatura, acompanhado por ficção científica e drama. No terror, meu subgênero preferido é o terror cósmico e de monstros, mas sinceramente não encontrei ainda um subgênero dentro dele que me desagrade. Minha mãe e eu temos o costume de assistir filmes de terror, sempre fizemos isso, desde minha infância, o que me permitiu explorar bastante o gênero e criar ótimas memórias em cima dele. 



CDP: Você roteirizou a HQ Planeta Morto com apenas 17 anos, como foi essa experiência e quais as suas outras publicações? 


Fernanda: Roteirizar Planeta Morto foi o maior marco na minha escrita até agora, pois abriu portas que eu nunca imaginei serem abertas. Conheci pessoas incríveis, visitei lugares e participei de eventos que me permitiram avançar como escritora fora do mundo dos quadrinhos. Tudo começou quando ganhei um concurso para o site The Walking Dead Brasil onde o vencedor seria o roteirista de um quadrinho de zumbis ao lado do desenhista Celso Ludgero...


A HQ só teve duas edições e alguns contos paralelos, pois era um desafio muito grande para nós conciliar o trabalho regular com a demanda de criar mensalmente um quadrinho de aproximadamente 30 páginas. A fã page no Facebook atingiu 100 mil pessoas no seu auge, e os downloads dos episódios também ficaram em torno disso, o que é uma conquista enorme se tratando do material de duas pessoas que começaram do zero e não tiveram nenhuma ajuda financeira, apenas o bom e velho boca a boca entre amigos e apoiadores. Até hoje recebemos mensagens sobre a volta de Planeta Morto e não descartamos a ideia, pois é algo que Celso e eu desejamos muito concretizar, mas precisamos nos organizar pois quando voltarmos, é pra valer... rs


Além de Planeta Morto, mantenho uma página no Facebook (Fernanda Oz) onde posto textos com certa frequência. 


Tenho publicado alguns livros, sendo eles:

  • Almanaque dos Zumbis -  O Estranho Mundo dos Mortos Vivos;

  • Anjos da Morte;

  • Seriados de A à Z;

  • Universo da Fantasia;

  • e o mais recente, totalmente autoral e independente, Fragmentos do Incomum que nos Une (à venda em versão digital na Amazon, e versão física na página do Facebook).


CDP: Quais as suas maiores influências na literatura e qual o seu autor preferido? 


Fernanda: Tenho muitas influencias, sendo elas Augusto dos Anjos, Lovecraft, Edgar Allan Poe, King, Baudelaire... Meu autor preferido é Augusto dos Anjos.



CDP: Você tem algum projeto no forno? 


Fernanda: Um livro de contos de terror.



CDP: Você tem autores brasileiros para nos indicar? 


Fernanda: Conheço autores brasileiros maravilhosos e indico com prazer: Cesar Bravo, Alexandre Callari, Anastacia Ottoni, Amanda Leonardi, Alexandre Winck, Rô Mierling e muitos outros que ainda não possuem livros, mas já tive o prazer de ler e são muito bons também. 


O Brasil está cheio de talentos e devemos apoiá-los, por isso quero parabenizar o site pela iniciativa de apoiar autores nacionais e seus trabalhos! Muito obrigada!