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Do Além - H.P. Lovecraft (tradução)

Do Além é um conto de H.P. Lovecraft publicado pela primeira vez em junho de 1934 na revista The Fantasy Fan. Sua história traz um cientista que cria um aparelho eletrônico capaz de incitar sentidos adormecidos nos seres humanos, abrindo a mente para outras dimensões.


O conto inspirou dois filmes: Do Além de 1986, dirigido por Stuart Gordon, e The Banshee Chapter, um found footage lançado em 2013.


Leia o conto na íntegra abaixo:


DO ALÉM


H.P. Lovecraft



Horrível além da concepção foi a mudança que ocorreu em meu melhor amigo. Crawford Tillinghast. Eu não o havia visto desde aquele dia, dois meses e meio antes, quando ele me contou para qual direção suas pesquisas físicas e metafísicas estavam indo, quando respondeu aos meus impressionados e quase apavorados protestos, levando-me do laboratório até sua residência em uma explosão de fúria fanática. Eu soube agora que ele permanecia trancado a maior parte do tempo no laboratório do sótão, com aquela maldita máquina eletrica, comendo pouco e rejeitando até os empregados, mas eu não pensei que aquele breve período de dez semanas conseguiria alterar e desfigurar tanto qualquer criatura humana.


Não é agradável ver um homem forte emagrecer repentinamente, e é ainda pior quando a pele flácida fica amarelada ou acinzentada, os olhos afundados, circundados, e brilhando misteriosamente, a testa com veias e enrugada, e as mãos trêmulas e espasmódicas. E se adicionar a isso um desgrenhamento repulsivo, uma bagunça de roupas, um matagal de cabelos escuros esbranquiçados na raiz, e um cultivo desenfreado de barba branca em um rosto que uma vez foi barbeado, o efeito cumulativo é bem chocante. Mas era esse o aspecto de Crawford Tillinghast na noite em que sua mensagem semi coerente me trouxe à sua porta depois de minhas semanas em exílio, assim era o espectro que tremia enquanto me recebia, com uma vela na mão, e lançava olhares furtivos por cima do ombro, como se estivesse temeroso de coisas ocultas na antiga e solitária casa situada na Benevolent Street.


Foi um erro Crawford Tillinghast ter estudado ciência e filosofia. Essas coisas devem ser deixadas para o investigador frio e impessoal, pois elas oferecem duas alternativas igualmente trágicas para o homem de sentimentos e ações: desespero, se ele falhar em sua busca; e terrores indescritíveis e inimagináveis se ele obtiver sucesso. Tillinghast já era uma vítima do fracasso, solidão e melancolia, mas agora eu sabia que, com meus próprios medos repugnantes, ele era uma vítima do sucesso. De fato, eu o havia alertado dez semanas antes, quando ele irrompeu com sua história de que sentia estar prestes a descobrir. Ele estava ruborizado e excitado então, falando com uma voz alta e artificial, apesar de sempre pedante.


— Que conhecimento temos, — ele havia dito, — sobre o mundo e o universo ao nosso redor? Nossos meios de receber impressões são absurdamente poucos, e nossas noções a respeito dos objetos que nos cercam são infinitamente restritas. Nós vemos as coisas apenas como somos concebidos a vê-las, e não conseguimos obter nenhuma ideia de sua natureza absoluta. Com cinco sentidos fracos nós fingimos compreender o imenso e complexo cosmos, ainda assim, outros seres com uma variedade de sentidos mais amplos, mais fortes ou diferentes, podem não apenas ver as coisas diferentemente como vemos, mas podem ver e estudar mundos inteiros de matéria, energia, e vida, que estão ao nosso alcance mas que ainda assim podem nunca ser detectadas com os sentidos que temos. Sempre acreditei que tais mundos estranhos e inacessíveis existiam bem próximos de nós, e agora acredito ter encontrado uma forma de derrubar as barreiras. Não estou brincando. Dentro de 24 horas, aquela máquina perto da mesa irá gerar ondas que agem em órgãos do sentido que existem em nós como vestígios atrofiados ou rudimentares.


Aquelas ondas irão nos abrir a muitas vistas desconhecidas para o homem e para várias incógnitas a qualquer coisa que consideramos vida orgânica. Seremos capazes de ver para que os cães latem no escuro, e para que os gatos levantam suas orelhas depois da meia noite. Seremos capazes de ver essas coisas, e outras que nenhuma criatura viva já tenha visto. Seremos capazes de ultrapassar o tempo, o espaço, e dimensões, e sem o movimento corporal espreitaremos o fundo da criação.


Quando Tillinghast disse essas coisas, eu protestei, pois o conhecia bem o suficiente para ficar mais assustado do que entretido, mas ele era um fanático e me enxotou de sua casa. Agora ele era não era menos que um fanático, mas seu desejo de falar havia conquistado seu ressentimento, e ele escreveu-me imperativamente em uma caligrafia que mal pude reconhecer. Assim que adentrei a casa do amigo tão repentinamente metamorfoseado a uma gárgula tiritante, fiquei infectado com o terror que parecia espreitar em todas as sombras.


As palavras e crenças expressas dez semanas antes pareciam ter tomado corpo na escuridão além do pequeno círculo de luz de vela, e fiquei enojado ao ouvir a voz vazia e alterada de meu anfitrião. Desejei que os empregados estivessem lá, e não gostei quando ele me disse que todos haviam partido três dias antes. Parecia estranho que o velho Gregory, pelo menos, desertaria seu mestre sem contar a um amigo tão confiável como eu. Era ele quem havia me dado toda informação sobre Tillinghast depois que fui repelido em fúria.


Ainda assim, logo subordinei todos os meus medos à crescente curiosidade e fascinação. Não sabia exatamente o que Crawford Tillinghast queria de mim agora, mas que ele tinha algum segredo estupendo ou descoberta para compartilhar, disso que não tinha dúvida. Antes, eu havia protestado quanto às suas intromissões sobrenaturais ao impensável, agora que ele havia evidentemente obtido sucesso a algum grau, eu quase compartilhava seu estado de ânimo, embora fosse terrível o preço da vitória. Através do vazio escuro da casa, segui a vela que balançava na mão dessa trêmula paródia de um homem. A eletricidade parecia ter sido desligada, e quando perguntei a meu guia, ele disse que era por uma boa razão.


— Seria demais… Eu não me atreveria, — ele continuou a murmurar. Notei especialmente seu novo hábito de murmurar, pois não era típico dele falar consigo mesmo. Entramos no laboratório no sótão, e observei aquela detestável máquina elétrica, brilhando com uma luminosidade violeta doentia e sinistra. Estava conectada a uma poderosa bateria química, mas parecia não estar recebendo corrente, pois recordei-me que em seu estágio experimental, ela estalava e vibrava quando ligada. Em resposta à minha pergunta, Tillinghast resmungou que seu brilho permanente não era elétrico em qualquer sentido que eu pudesse entender.


Ele me fez sentar perto da máquina, deixando-a à minha direita, e ligou um interruptor em algum lugar embaixo do aglomerado de bulbos de vidros. A crepitação habitual começou, tornando-se um lamento, e terminando em um zumbido tão suave que dava a impressão do silêncio ter voltado. Enquanto isso, a luminosidade aumentou, diminuiu novamente, e então assumiu um tom pálido, uma cor diferente, ou uma mistura de cores que eu não poderia definir descrever. Tillinghast ficou me observando e notou minha expressão intrigada.


— Você sabe o que é? — sussurrou, — Aquilo são raios ultra-violeta. Ele riu estranhamente à minha surpresa. — Você pensou que o ultra-violeta era invisível, e realmente é… Mas você pode vê-lo e muitas outras coisas invisíveis agora.


“Escute-me! As ondas daquela coisa estão acordando mil sentidos adormecidos em nós, sentidos que herdamos de éons de evolução do estado de elétrons desprendidos para o estado da humanidade orgânica. Eu vi a verdade, e tenho a intenção de lhe mostrá-la. Você imagina como vai ser? Eu vou lhe contar. — Aqui, Tillinghast sentou-se diretamente oposto a mim, apagando sua vela e me encarando horrivelmente nos olhos.


“Seus órgãos do sentido existentes, creio que primeiro os ouvidos, irão captar muitas das impressões, pois eles estão intimamente conectados aos órgãos dormentes. Então haverão outros. Você já ouviu falar da glândula pineal? Dou risada dos endocrinologistas superficiais, dos colegas dos ingênuos e arrivistas freudianos. Aquela glândula é o grande órgão do sentido dos órgãos, eu descobri isso. É como o final da visão, transmitindo imagens visuais ao cérebro. Se você é normal, essa é a forma que deve captar a maioria das coisas… Quero dizer, a maioria das evidências do além.”


Olhei em volta do enorme sótão com a imensa parede inclinada ao sul, vagamente iluminada pelos raios que não conseguimos ver no dia a dia. Os cantos mais distantes eram todos cheios de sombras e o lugar inteiro assumiu uma irrealidade embaçada, que obscurecia em sua natureza e convidava a imaginação aos símbolos e aos espectros. Durante o longo intervalo em que Tillinghast ficou em silêncio, imaginei-me em algum imenso e incrível templo de deuses há muito tempo mortos, algum edifício vago com inumeráveis colunas de pedras negras erguendo-se de um chão de placas úmidas até uma altitude enevoada além do alcance da minha visão.


A imagem foi bem vívida por um tempo, mas gradualmente deu lugar a uma concepção mais horrível, aquela da total e absoluta solidão em um espaço infinito, sem visão e silencioso. Parecia haver vazio e nada mais, e senti um medo infantil que me impeliu a sacar o revólver que eu levava no bolso depois do anoitecer, desde a noite que fui assaltado no leste de Providence. Então, das regiões mais distantes do isolamento, o som suavemente deslizou para a existência. Era infinitamente fraco, sutilmente vibrante e inconfundivelmente musical, mas carregava uma qualidade de insuperável selvageria que fez seu impacto soar como uma delicada tortura em todo meu corpo.


Tive sensações como aquelas que alguém sente quando acidentalmente arranha vidro moído. Simultaneamente, ali se desenvolvia algo como uma corrente de ar fria, a qual aparentemente passou por mim vinda da direção do som distante. Conforme eu esperava ansiosamente, percebi que ambos som e vento estavam aumentando, o efeito dando-me uma estranha noção de mim mesmo enquanto me amarrava a um par de trilhos de uma gigante locomotiva que se aproximava. Comecei a falar com Tillinghast, e assim que o fiz, as impressões anormais repentinamente desapareceram. Vi apenas o homem, as máquinas resplandecentes, e o apartamento sombrio. Tillinghast estava sorrindo repulsivamente ao revólver que saquei quase inconscientemente, mas sua expressão me dava a certeza que ele havia visto e ouvido tanto quanto eu, se não bem mais. Sussurrei o que eu havia vivenciado e ele ordenou que permanecesse o mais quieto e receptivo possível.


— Não se mova, — ele advertiu, — pois nesses raios somos capazes de sermos vistos tão bem quanto podemos ver. Disse-lhe que os empregados haviam ido embora, mas não te disse como. Foi aquela governanta estúpida, ela ligou as luzes no andar debaixo depois que a adverti a não fazer isso, e os fios captaram vibrações favoráveis. Deve ter sido assustador, eu podia ouvir os gritos daqui de cima, apesar de estar vendo e escutando de outra direção, e mais tarde foi um tanto horrível encontrar montes vazios de roupas pela casa. As roupas da Srta. Updike estavam perto do interruptor do hall da frente, foi assim que eu soube que ela o fez. Peguei todas. Mas enquanto não nos movermos, estaremos bastante seguros. Lembre-se que estamos lidando com um mundo hediondo, no qual estamos praticamente indefesos…. Permaneça imóvel!


A combinação do choque da revelação com o comando abrupto deu-me uma espécie de paralisia, e em meu terror, minha mente se abriu novamente às impressões vindas do que Tillinghast chamava de “além”. Eu estava agora em um vórtice de som e movimento, com imagens confusas diante de meus olhos. Vi os contornos borrados do cômodo, mas de algum ponto no espaço parecia haver o derramamento de uma coluna borbulhante de irreconhecíveis formas ou nuvens, penetrando o teto sólido a um ponto acima e à minha direita. Então tive o efeito do vislumbre de um templo novamente, mas dessa vez os pilares alcançavam um oceano aéreo de luz, que enviava para baixo um feixe ofuscante ao longo do caminho da coluna enevoada que eu havia visto antes.


Depois daquela cena quase inteiramente caleidoscópica, e no emaranhado de visões, sons e desconhecidas impressões sensoriais, senti que estava prestes a me dissolver ou de alguma forma perder a forma sólida. Deverei lembrar para sempre de um único clarão. Por um instante, eu parecia contemplar uma mancha de um estranho céu noturno preenchido com esferas brilhantes que giravam, e assim que retrocedeu, vi que os sóis luminosos formavam uma constelação ou galáxia de forma estabelecida, sendo essa forma o rosto distorcido de Crawford Tillinghast. Uma outra vez, senti as imensas coisas vivas roçando através de mim, e ocasionalmente andando ou flutuando através do meu corpo supostamente sólido, e pensei ter visto Tillinghast olhar para elas como se seus sentidos melhor treinados conseguissem captá-las visualmente. Lembrei-me do que ele havia dito sobre a glândula pineal, e imaginei o que ele viu com seus olhos sobrenaturais.


De repente, fui tomado por uma espécie de visão aumentada. Além e acima do caos luminoso e obscuro surgia uma imagem na qual, apesar de vaga, mantinham-se os elementos de consistência e permanência. De fato, era de alguma forma familiar, pois a parte anormal era sobreposta pela habitual vista terrestre, assim como a imagem de cinema pode ser lançada sobre a cortina pintada de um teatro. Vi o laboratório do sótão, a máquina elétrica, e a figura disforme de Tillinghast oposta a mim, mas nem uma partícula estava vazia, todo o espaço estava desocupado pelos objetos familiares. Indescritíveis formas, vivas ou não, estavam misturadas em um desarranjo repugnante, e perto de cada coisa conhecida, havias mundos inteiros de entidades alienígenas e desconhecidas. Parecia como se todas as coisas conhecidas haviam entrado na composição de outras coisas desconhecidas, e vice versa.


Sobretudo, entre os objetos vivos, havia monstruosidades escuras como águas-vivas, as quais estremeciam de modo flácido em harmonia com as vibrações vinhas da máquina. Elas estavam presentes na profusão asquerosa, e para o meu horror, vi que elas se sobrepunham, que eram semi fluidas e capazes de passar através uma das outras, e através do que conhecemos como sólidos. Aquelas coisas nunca ficavam imóveis, mas pareciam estar sempre flutuando ao redor com um propósito maligno. Algumas vezes, elas pareciam devorar umas às outras, o atacante se lançando a sua vítima e instantaneamente obliterando a última de vista. Tremendo, eu senti que sabia o que havia acabado com a existência dos desafortunados empregados, e não conseguia excluir a coisa da minha cabeça, enquanto me esforçava para observar outras propriedade do novo mundo recentemente visível que se estende oculto ao nosso redor. Mas Tillinghast estivera me observando e estava falando.


— Você as vê? Você as vê? Você vê as coisas que flutuam e saltam ao seu redor, e através de você a cada momento de sua vida? Você vê as criaturas que formam o que os homens chamam de ar puro e de céu azul? Não tive sucesso em quebrar a barreira, não lhe mostrei mundo que nenhum outro homem vivo já viu? — Ouvi seu grito através do horrível caos, e olhei para a face selvagem empurrada tão ofensivamente perto da minha. Seus olhos eram poços de chamas, e eles me fitavam com aquilo que agora eu via como um ódio avassalador. A máquina zumbiu detestavelmente. — Você acha que essas coisas cambaleantes deram cabo dos empregados? Tolo, elas são inofensivas! Mas os empregados se foram, não? Você tentou me parar, desencorajou-me quando eu precisava de cada gota de encorajamento que eu conseguisse, você estava com medo da verdade cósmica, seu covarde desgraçado, mas agora peguei você! O que deu cabo dos empregados? O que os fez gritar tão alto? … Não sabe, eh… Você irá saber bem em breve. Olhe para mim, ouça o que digo, você acha de verdade que existem coisas como tempo e magnitude? Você imagina que existem coisas como forma e matéria? Eu lhe digo, atingi profundezas que seu pequeno cérebro não consegue imaginar. Vi através dos limites do infinito e arranquei demônios das estrelas… Subordinei as sombras que transpõem de mundo a mundo para semear morte e loucura…


“O espaço pertence a mim, você me entende? Coisas estão me caçando agora, as coisas que devoram e dissolvem, mas eu sei como enganá-las. É você que elas vão pegar, do mesmo jeito que pegaram os empregados… Agitando-se, querido cavalheiro? Eu lhe falei que era perigoso se mexer, salvei-lhe até agora falando que permanecesse imóvel, salvei-lhe para que tenha mais visões e me ouça. Se você tivesse se mexido, eles estariam sobre você há muito tempo. Não se preocupe, eles não vão lhe machucar. Eles não machucaram os empregados, foi a visão que fez aqueles pobre diabos gritarem tanto. Meus mascotes não são belos, pois eles vêm de lugares onde os padrões estéticos são… bem diferentes. A desintegração é completamente indolor, eu lhe asseguro, mas quero que os veja. Eu quase os vi, mas soube como parar. Está curioso? Sempre soube que você não era um cientista. Tremendo, é…. Tremendo ansiosamente para ver as maiores coisas que descobri. Porque não se mexe, então? Bem, não se preocupe, meu amigo, pois eles estão vindo… Olhe, olhe, maldito seja, olhe… Está bem sobre seu ombro esquerdo…”


O que falta ser dito é bem breve, e deve lhe parecer familiar pelos relatos dos jornais. A polícia ouviu um tiro na antiga casa de Tillinghast e nos encontrou lá, Tillinghast morto e eu inconsciente. Eles me prenderam porque o revólver estava em minha mão, mas me liberaram em três horas, depois que descobriram que foi a apoplexia que matou Tillinghast e não meu tiro que foi direcionado à nociva máquina, a qual se estende irremediavelmente destruída no chão do laboratório. Não contei muito do que eu havia visto, pois temi que o investigador ficaria cético, mas pela descrição evasiva que dei, o médico me disse que sem dúvidas eu havia sido hipnotizado pelo lunático vingativo e homicida.


Queria poder acreditar no médico. Ajudaria meus nervos abalados se eu pudesse desprezar o que agora tenho que pensar sobre o ar e o céu ao meu redor e sobre mim. Nunca me senti sozinho ou confortável, e uma terrível sensação de perseguição às vezes surge assustadoramente sobre mim quando estou cansado. O que me previne de acreditar no médico é um simples fato, que a polícia nunca encontrou os corpos daqueles empregados que dizem que Crawford Tillinghast havia assassinado.




Tradução: Mimi Zanetti


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2020