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O mundo sombrio de Charlitto Ogami: contos + entrevista

Uma das propostas do blog é trazer mais autores nacionais, sobretudo do terror, e quem dá as caras por aqui agora é o talentoso Charlitto Ogami. O escritor de 34 anos nascido em Vila Velha no Espírito Santo, já publicou dois contos de forma autônoma e está virando figurinha carimbada na Editora Diário Macabro.



A Porta Azul-Turquesa


Seu primeiro conto publicado é narrado em primeira pessoa, e seu protagonista é um jovem que acaba de sair da casa dos pais, conquistando sua tão almejada liberdade e dando início a um futuro ao lado de sua amada. Ao ser efetivado no emprego em uma livraria, ele aluga uma pequena quitinete de propriedade do casal Souza.


O local nada mais era do que um apartamento reformado e dividido em dois: de um lado, o casal dos idosos locadores, do outro, o canto do nosso protagonista. Lá havia uma peculiar porta azul-turquesa, que seria supostamente um quartinho desativado. Só que ela será a causa de muitos pesadelos ao jovem e sua namorada.


Ler em um veículo em movimento geralmente me causa enjoos, entretanto li A Porta Azul-Turquesa na íntegra em uma viagem pois não conseguia mais parar de ler, eu precisava saber o que tinha atrás da maldita porta. E Charlitto não decepciona na sua estréia, é um ótimo conto breve e com final surpreendente. Disponível na Amazon.



Devaneios de uma Manhã de Verão


Este conto se inicia com um narrador-protagonista não confiável, expondo logo de cara a loucura que passou em uma narrativa aparentemente nos moldes lovecraftianos. Enfoque no “aparentemente”, pois seu desenvolvimento surpreende a cada página.


O que era para ser uma agradável manhã na praia, com direito a um mergulho relaxante no mar antes do expediente de trabalho, se torna um pesadelos de proporções inimagináveis. É como se os horrores de Lovecraft fossem de encontro direto a um terror de ficção científica. Até o momento, “Devaneios…” é o meu conto preferido do autor, e está presente na edição 05 da Diário Macabro (clique aqui para adquirir).




Não Deixe o Monstro Despertar


“Monstros existem e fantasmas também. Vivem dentro de nós e, às vezes, eles vencem.” essa frase de Stephen King tem muito a ver com esse conto, que é a publicação mais recente de Charlitto. Arthur é um homem cuja adolescência foi marcada pela violência doméstica, e agora que ele é um adulto precisa lutar contra os seus próprios monstros.


É um conto completamente diferente dos dois anteriores. Enquanto o primeiro flerta com o sobrenatural, e o segundo traz um pouco do horror lovecraftiano, Não Deixe o Monstro Despertar tem seu foco nos horrores da própria humanidade. Três obras bem distintas entre si que mostram toda a versatilidade do autor. Disponível na Amazon.



Confira agora uma breve entrevista com o Charlitto:


CDP: Charlitto, a pergunta que não quer calar: seu nome é Charlitto mesmo ou é artístico? Cá entre nós, é um nome forte e bem marcante.

Charlitto: É engraçada a história desse nome. Meu nome verdadeiro é Charles, porém, durante o ensino médio, uns colegas de sala começaram a me chamar de Charlito para poder zombar do meu nome. Inicialmente eu ficava chateado e não curtia o apelido. Passei a não me importar para ver se eles se cansavam e quando percebi, estava até curtindo a sonoridade dele! Quanto fui criar meu nome artístico, fiz a junção do meu apelido com o nome do meu personagem preferido da ficção, o Ronin Itto Ogami, do mangá Lobo Solitário, criando o Charlito Ogami, ainda com apenas um T. Depois, para se aproximar ainda mais do nome do personagem, eu inseri o outro T: Charlito + Itto Ogami = Charlitto Ogami.


CDP: Eu li alguns de seus contos e eles são bem distintos entre si, o meu favorito até o momento é o "Devaneios de uma manhã de verão" da DM05. Quais a as suas inspirações para escrever?

Charlitto: Nitidamente a minha maior influência é o escritor H. P. Lovecraft, do qual sou muito fã. Também me inspiro muito no Clive Barker e nos filmes do diretor Sam Raimi.


CDP: De quais antologias você já participou?

Charlitto: Além da Revista Diário Macabro nº 5, tenho contos na antologia Manicômio Salgueiro e em breve na antologia O Caso Fylo-Medusa, da qual também sou organizador, todas pela editora Diário Macabro.


CDP: Conta para a gente como foi seu primeiro contato com o terror e quando começou a escrever.

Charlitto: Meu primeiro contato com o terror foi assistindo a filmes como Evil Dead e Sexta-Feira 13 ao lado de minha mãe quando eu tinha 7 anos. Apesar de ter sido aterrorizado em pesadelos por isso, ficava ansioso para assistir a mais filmes como aquele, passando por Hellraiser e Brinquedo Assassino.


CDP: Você pretende lançar algum romance em breve?

Charlitto: Não só pretendo, como já estou desenvolvendo o meu primeiro romance. Novidades em breve.


CDP: Aquela pergunta clichê que não pode faltar: quais seus autores preferidos?

Charlitto: Além do Lovecraft e Barker que já citei, não faltam na lista, Poe, Stephen King, Anne Rice, Neil Gaiman e os brasileiros Rodrigo de Oliveira, André Vianco, Marcos DeBrito e Marcus Barcellos.


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