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Ann Radcliffe, literatura gótica, o terror e o horror


Imagem: Getty/DeAgostini

Ann Radcliffe é a rainha do romance gótico. O estilo nasceu com a publicação de O Castelo de Otranto, de Horace Walpole, mas foi Radcliffe quem definiu o gênero e inspirou artistas posteriores.


A escritora nasceu na Inglaterra em 1764, e morreu aos 58 anos em 1823. Pouco se sabe sobre sua vida pessoal, apenas fatos como o encorajamento para escrever que recebia de seu marido, o jornalista William Radcliffe.


Sir Walter Scott, criador do romance histórico e um dos influenciados por Radcliffe, a chamou de “poderosa feiticeira”. A autora também influenciou outros grandes nomes como Marquês de Sade e Edgar Allan Poe.


Foram publicados seis romances de sua autoria:


- The Castles of Athlin and Dunbayne - “Os Castelos de Athlin e Dunbayne, de 1789, sem tradução para o português;


- A Sicilian Romance - “Um Romance Siciliano”, publicado anonimamente em 1790, sem tradução para o português. De acordo com o Oxford World's Classics, “Ann Radcliffe começou a moldar a mistura única da psicologia do terror e a descrição poética, que fariam dela um grande exemplo do Romance Gótico, e o ídolo dos Românticos”;


- The Romance of the Forest - “O Romance da Floresta”, seu primeiro grande sucesso popular tendo quatro edições em seus três primeiros anos, sendo publicado anonimamente pela primeira vez em 1791. O romance combina um ar de mistério e suspense, com a tensão entre o hedonismo e a moralidade. Também sem tradução para o português;


- The Mysteries of Udolpho - “Os Mistérios de Udolfo”, publicado em quatro volumes em 1794, é o seu romance mais popular. É uma sátira de Northanger Abbey, de Jane Austen.


- The Italian, or the Confessional of the Black Penitents - publicado em português sob o título “O Italiano”, teve sua primeira edição em 1797 e foi o último romance da autora publicado em vida. A obra é uma resposta ao livro The Monk (“O Monge” - 1796) de Matthew Gregory Lewis;


- Gaston de Blondeville - publicado postumamente em 1826, sem tradução para o português.



Além deste último romance, também foi publicado após sua morte um ensaio de sua autoria, o “On The Supernatural Poetry”, em que expressa as diferenças entre o horror e o terror, através de exemplificações de obras de Shakespeare e Milton.


Confira a tradução de alguns trechos de “On The Supernatural Poetry”:


"Terror e horror até agora são opostos, o primeiro expande a alma, e desperta as capacidades a um elevado nível de vida; o outro contrai, congela, e quase as aniquila."
“A obscuridade deixa algo para que a imaginação o exagere; confundindo, ao embaraçar uma imagem na outra, deixando apenas o caos em cuja mente pode não encontrar nada a ser magnífico, nada para nutrir seus medos ou dúvidas, ou agir de acordo com isso de alguma forma.”
“Se a obscuridade tem tanto efeito na ficção, o que deve existir na vida real, quando que verificar o objeto de nosso terror é frequentemente adquirir os meios de escapar dele. Esta imagem, embora indistinta ou obscura, não é confusa.”

Em outras palavras:


O terror é o medo sentido em relação a algo obscuro, a sensação de antecipação que a mente tem ao ter imaginações exageradas. Precede o momento da experiência, é o medo puro.


O horror é a sensação de repulsa a algo que realmente existe. É consequente à experiência, é o medo digerido.


A edição completa da New Monthly Magazine de 1826, em que o ensaio “On The Supernatural Poetry” foi publicado postumamente, você pode encontrar no Google Books, como parte de um projeto de digitalização de informação por iniciativa do próprio Google.


Fontes:


O livro Os Mistérios de Udolpho é vendido em dois volumes:


Volume I

Capa comum: 316 páginas

Editora: Pedrazul

Edição: 1ª (2 de janeiro de 2014)

Idioma: Português


Volume II

Capa comum: 308 páginas

Editora: Pedrazul

Edição: 1ª (2 de janeiro de 2011)

Idioma: Português