• Mimi Zanetti

4 filmes de terror do New French Extremity para você assistir na Darkflix

O termo New French Extremity foi criado pelo crítico de James Quandt na revista Artforum, para designar (pejorativamente) uma série de filmes transgressores lançados no final da década de 1990 e no começo dos anos 2000. Violência extrema, sexo (muitas vezes ligado à violência), e loucura são alguns dos temas abordados nesse filmes.


Muitos deles não são propriamente de terror, como Sheitan (dirigido por Kim Chapiron, lançado em 2006) que tem um tom cômico, ou o vertiginoso e indigesto Irreversível (2002) de Gaspar Noé, um thriller psicológico que se mistura com drama.


A lista a seguir é composta apenas de filmes de terror que fazem parte desse movimento francês e estão disponíveis na Darkflix:



1. Mártires (Martyrs, 2006)


Direção: Pascal Laugier

Duração: 99 minutos


Não tem como falar em New French Extremity sem falar de Martyrs. Esse filme é um dos carros chefes do movimento.


Lucie é uma criança que ficou anos presa sofrendo vários tipos de tortura, até que consegue escapar e e é levada para um orfanato, onde faz amizade com a pequena Anna. Quinze anos depois, Lucie (Mylène Jampanoï) busca vingança contra aqueles que a agrediram e deixaram tantas marcas profundas em seu físico e psicológico. Ela invade a casa de seus antigos agressores e os extermina um por um (incluindo dois adolescentes). Ao final do ato, ela liga para Anna (Morjana Alaoui), que vai até o local, iniciando uma jornada em um verdadeiro inferno.



Mártires não é um filme fácil de ser assistido, pois a violência física é levada aos extremos (teve gente desmaiando e vomitando na premiere em Cannes). Mas não se engane, não se trata de um torture porn como O Albergue, a obra apresenta uma razão para tanta selvageria, e não falha em deixar reflexões para os telespectadores. Uma das verdadeiras obras primas do terror mundial.


Existe uma remake americano lançado em 2015, recomendo que passe bem longe pois foram feitas mudanças no roteiro, incluindo a atenuação da violência, elemento essencial para a obra (mas quem quiser se arriscar, essa versão está disponível no Telecine).



2. A Invasora (À l'intérieur, 2007)


Direção: Alexandre Bustillo e Julien Maury

Duração: 82 minutos


Existem dois temas recorrentes no New French Extremity, que muitas vezes aparecem interligados: o medo do desconhecido (geralmente um agente humano) e a invasão domiciliar. E esses temas aparecem nos três filmes seguintes da lista.


Em A Invasora, quatro meses depois de um acidente de carro que tira a vida de seu marido, a fotógrafa Sarah (Alysson Paradis) se prepara para dar a luz ao seu bebê. Na véspera de Natal, noite anterior ao parto, ela está em casa sozinha quando uma estranha bate à sua porta pedindo ajuda. Trata-se de uma mulher psicótica (interpretada por Beatrice Dalle) que quer seu bebê a qualquer custo.



O filme é repleto de takes escuros, agoniantes e recheados de violência, e apesar de algumas cenas e situações ilógicas ou quase absurdas, o resultado final é uma bela obra de terror. Mulheres grávidas, passem longe!


Assim como Mártires, a obra ganhou um remake em língua inglesa, mas de produção espanhola, dirigido por Miguel Ángel Vivas com roteiro de Jaume Balagueró. Houve bastante economia do gore, a adição de alguma ação, e exceto pelo final breguíssimo, o enredo não teve grandes alterações. Tudo bem digerido para a audiência norte americana. Está disponível na Netflix com o título de Perigo na Escuridão (2017).



3. Alta Tensão (Haute Tension, 2003)


Direção: Alexandre Aja

Duração: 91 minutos


Alexa (Maïwenn) e Marie (Cécile De France) são duas amigas de universidade que pretendem passar um final de semana tranquilo na fazenda dos pais de Alexa. Mas a tranquilidade se transforma em pesadelo logo na primeira noite, quando um serial killer invade a casa e dá início a uma matança desenfreada. Agora Marie precisa fazer de tudo para salvar a si mesma, e resgatar sua amiga das mãos do monstro.



A caçada entre rato e gato faz com que o filme se assemelhe um tanto aos slashers norte americanos, mas é cheio de tensão (como o próprio nome sugere), com um banho de sangue de proporções épicas e um final surpreendente (que alguns amam e outros odeiam).



4. Eles (Ils, 2006)


Direção: David Moreau e Xavier Palud

Duração: 77 minutos


O jovem casal de franceses Clémentine (Olivia Bonamy) e Lucas (Michaël Cohen) moram em uma casa nos arredores de Bucareste, Romênia. Clémentine dá aulas de francês em uma escola, enquanto Lucas é um escritor e passa a maior parte do tempo em casa. A tranquilidade deles é quebrada quando em uma noite começam a ouvir barulhos vindos do andar inferior. A residência do casal está sendo invadida por um grupo de encapuzados, e agora eles precisam lutar por suas vidas.



Não assista esperando gore extremo. De todos os filmes dessa lista, Eles é certamente o que tem menos violência física de todos. A tortura é muito mais psicológica, e a subversão tão característica do New French Extremity fica por conta da revelação final.